Um alto monte

Como psicoterapeutas, estamos sempre e necessariamente diante de um objeto de trabalho fugidio, fluido, impossível de ser aprisionado completamente nas teias da compreensão racional. Entretanto, precisamos de luz para clarear os caminhos à nossa frente, e para tal é necessário ler, estudar, aprender, muitas vezes em textos áridos, difíceis, obscuros. Noções preciosas vindas da Filosofia e da Ciência sem dúvida nos auxiliam, porém,  muitas vezes, em nossos cursos e grupos, limitamo-nos a isso, esquecendo das contribuições que a Arte nos pode dar nesse terreno.

Encontramos elementos valiosos para a compreensão do mistério humano em peças de teatro, filmes, músicas, danças, esculturas, pinturas, romances e poemas. Freqüentemente de uma maneira vívida, falando diretamente ao coração e aos sentidos, criando impressões e marcas em nós que perduram e se incorporam à nossa visão de mundo, abrindo as portas para a experiência da vida em seus aspectos profundos,  misteriosos, essenciais e transcendentes. Além do crescimento pessoal, isso abre possibilidades na comunicação com nossos pacientes, podendo facilitar a compreensão ao ir de um plano dedutivo/racional para algo diretamente vivo, num nível que poderíamos dizer mais impressionante, ao mesmo tempo mais assustador e mais cativante.

Como exemplo, quero comentar aqui um soneto de Fernando Pessoa. Minha intenção não é explicar ou dissecar o poema, nem discutir aprofundadamente a relação de Fernando Pessoa com a Psicologia e a Psicanálise, nem deduzir nada. Quero simplesmente usufruir o texto, me aproveitar dele para poder ter palavras que façam mais diretamente a mediação entre a linguagem e a realidade sobre a qual me debruço diariamente, das dores e luzes da alma humana. Convido o leitor a um exercício lúdico vital onde, através da justaposição de discursos diversos, buscaremos alcançar uma região onde possa haver uma ressonância e fecundação mútua entre as diferentes formas de expressão. De um lado a científica, que rodeia e detalha o tema, com estrutura e organização voltadas para a coerência e clareza, mais fechada (é o que é). De outro a poética, fluida, vibrante, contundente, com preocupação estética (ritmos, imagens), muito mais aberta (é isso, ou melhor, pode ser isso, e pode ser mil outras coisas).

O aspecto que será explorado aqui é a possibilidade de olhar este poema como uma descrição do que seja o papel (ou um dos papéis) da psicoterapia na vida humana adulta. Obviamente, a interpretação que faço não pretende esgotar o poema, sendo uma dentro da multiplicidade de percepções e associações possíveis a partir de texto tão denso e belo. Vamos a ele:

*     Publicado na Revista Reichiana 5. Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo, 1996, p. 83-102.  

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A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Nesta primeira parte, o poeta pode estar descrevendo o fato de haver freqüentemente, no processo de desenvolvimento pessoal, uma ruptura precoce (primeiros anos de vida) com algo muito essencial no âmbito emocional e psíquico. Há a criação como que de uma “casca” que não é realmente o indivíduo, uma camada que recobre a essência e que é mostrada ao mundo e a si mesmo como sendo o “eu”. Diversos autores descreveram este fenômeno, com nomes e explicações diferentes, mas com diversas semelhanças entre si: Gerda Boyesen o chamou de personalidade secundária1, Reich de caráter neurótico2, Winnicott de falso self3, Jung de identificação com a persona4.

Concentrando nossa atenção no campo reichiano, verificamos que, apesar do caráter neurótico ou a personalidade secundária serem algo diferente da essência do ser, a maioria das pessoas identifica-se com essa camada externa. Porém, muitas vezes o fluir da vida e seus acontecimentos, ou processos de desenvolvimento pessoal (como uma psicoterapia), acabam levando à percepção de que há “algo mais”, que aquilo que parecia ser o “eu” na realidade não é, e que permanecer nessa camada seria levar uma vida oca e sem sentido. O poema parece falar desse momento em que é percebido o vazio da armadura externa, e do desejo de ir em busca do essencial, que necessariamente é infantil (uma ruptura desta magnitude só poderia se dar num estágio precoce do desenvol-vimento) e chora (sem sofrimento no haveria pressão suficiente para tal cisão).

Se fossemos utilizar o jargão, ficaria mais ou menos assim em linguagem técnica: No meu desenvolvimento psicossexual, no decorrer da minha infância, houve conflitos que me fizeram sofrer. Meu ego, usando o recalque e outros mecanismos de defesa, tornou esse conflito inconsciente, havendo como conseqüência uma fixação da libido em uma das fases desse desenvolvimento. Esse processo foi tão intenso e profundo que deu-se uma ruptura no contato com meu cerne biológico, com meu self, e criou-se em mim uma estrutura de caráter neurótico, uma máscara, uma personalidade secundária. Isso bloqueia minha circulação libidinal e minha capacidade de auto-regulação, a um ponto tal que impede a auto-realização e o contato com meu desejo e com minha energia vital, e por isso sinto minha vida bloqueada e sem sentido. Quero reverter este quadro, e creio que o caminho a ser trilhado nesse sentido é o de retornar ao ponto do conflito infantil para tentar resgatar a minha essência vital.

Continuando:

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou

A vinda tem a regressão errada.

Já não sei de onde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

Encontramos aqui o indivíduo confuso e perdido, sem saber como reencontrar-se consigo. O recalque do material conflituoso parece ter enterrado junto com os sentimentos dolorosos e/ou proibidos os seus derivados, que por associação poderiam reconduzir ao recalcado original, inclusive a memória da ponte que trouxe de lá até aqui, dado que a persistência desta última tornaria muito pouco eficaz a amnésia seletiva5. Ao desidentificar-se do caráter (ou seja, deixando de considerá-lo como parte do eu, ou, em outras palavras, passando a percebê-lo como ego-distônico) e sem contato ainda com sua essência ou núcleo vital, o indivíduo vive uma crise de identidade. O velho modo já não faz mais sentido, algo terminou, um jeito antes tão útil e familiar agora jaz inerte, vazio de significado e de intensidade (o que, nas etapas do ciclo de transformação descritas por Keleman, é denominado como um ending6). Dá-se a consciência do quanto os processos psíquicos mais profundos estão bloqueados, a estase vital torna-se uma experiência dolorosa, angustiante.

Novamente tentando traduzir: Mas como reviver o conflito? Percebo em mim uma verdadeira amnésia em relação aos conflitos infantis. Sinto uma profunda culpa por ter traído a mim mesmo a tal ponto, e parece-me que estou condenado a nunca mais recuperar o contato com os afetos e os traços mnêmicos envolvidos. Perdi o contato com minha pulsação vital. Como conseqüência, vivo uma crise de identidade, nada me satisfaz, percebo que não sou o que pareço ser, e isso gera em mim uma sensação de estase vital, emocional e energética.

Mas o poeta vislumbra uma saída:

Se ao menos atingir neste lugar

Um alto monte, de onde possa enfim

O que esqueci, olhando-o, relembrar,

O indivíduo percebe a potencialidade de um efeito terapêutico, de um caminho possível para o reencontro consigo, na busca do material infantil, no ressurgimento do recalcado de uma maneira direta, e não mais disfarçado pela ação da censura. O “alto monte” pode ser qualquer coisa que lhe permita elevar-se acima da confusão sem saída em que se encontrava. Me parece legítimo sustentar que a psicoterapia é um tipo de “alto monte”, possivelmente o mais eficaz, dado que construído especialmente para tal finali-dade, desenhado especificamente para essa tarefa.

Como isso é possível? Valemo-nos aqui do conceito psicanalítico de recalque, onde se aponta que aquilo que é esquecido não desaparece, permanecendo vivo e ativo no inconsciente. Apesar de encontrar sua expressão direta bloqueada, a pressão pulsional associada ao material recalcado faz com que se produzam derivados do mesmo7 suficientemente disfarçados para que sejam aceitos pela censura do ego. A análise destes derivados irá reconduzir à fonte original, e nesse caminho haver-se-á que lidar com as resistências opostas pelo ego. Assim, percebe-se que o paciente, na famosa formulação de Freud, sabe (e é só graças a isso que se viabiliza nossa tarefa), mas como não sabe que sabe, acha que não sabe.

Valendo-nos uma vez mais da voz de uma artista, vejamos como se expressa Marie Cardinal, em um romance autobiográfico onde descreve seu processo analítico: “o esquecimento é a mais complicada das fechaduras, mas é simplesmente uma fechadura, não é uma borracha ou uma espada, não apaga, não mata, ele tranca. Cada acontecimento … é catalogado, etiquetado, fechado no esquecimento, mas indicado na consciência por um sinal freqüentemente microscópico. Basta estar atento a esses sinais. Cada um guarda um caminho que termina em uma porta aferrolhada, atrás da qual se encontra a lembrança intacta” (p. 167).

Uma psicoterapia é, entre outras coisas, um processo que consiste em um conjunto de procedimentos técnicos e relacionais que propiciam o encontro do caminho de volta ao recalcado a partir destes “sinais” psíquicos e corporais8: processos transferenciais, elementos oníricos, ab-reações, lapsos de linguagem, traços de caráter, sintomas, tensões musculares crônicas, posturas, gestos, modos de andar e agir, tons de voz etc..

É importante frisar que isto não é simplesmente uma técnica mecânica, um apertar de botes. Há algo fundamental na capacidade de uma disposição afetiva acolhedora da essência do paciente em suas manifestações iniciais fracas, frágeis e tímidas. Um calor receptivo e tolerante sem o qual tudo fica mais difícil (ou mesmo impossível), e ao qual, apesar do desgaste dessa palavra, só podemos denominar como amor9.

Traduzindo: Creio que está na hora de iniciar uma psicoterapia. Espero que o meu terapeuta seja capaz de transpor as minhas resistências, de lidar com meus mecanismos inconscientes de defesa e minhas couraças somáticas (muscular, tissular e visceral), de me permitir reverter a amnésia e o recalque a um ponto tal que eu possa trazer à consciência o material recalcado como conseqüência dos meus conflitos infantis. Espero ainda que ele saiba ler e interpretar não só o conteúdo, mas também a forma das minhas expressões e comunicações, traduzindo-as para que eu possa me apropriar delas como peças de um quebra-cabeça. Também fundamental seria sua capacidade amorosa de ressonância com meu cerne biológico, minha personalidade primária, para que a pressão organísmica interna se fortaleça, facilitando assim o seu acesso à consciência e à expressão.

Vamos agora ao desfecho do poema:

Na ausência, ao menos, saberei de mim,

E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar

Em mim um pouco de quando era assim.

Aqui vemos o que pode ser o relato de uma psicoterapia bem-sucedida. As lacunas da memória vão se desfazendo. O contato com as experiências infantis permite entender as motivações, antes inconscientes, das ações, atitudes e demais derivados neuróticos, e transformar-se. Desmancham-se os sintomas, desfazem-se os traços de caráter, os sentimentos e pensamentos e desejos e sensações podem agora seguir seu fluxo natural. Refaz-se a ponte entre lá e então e o aqui e agora, e por ela passa o cortejo do que antes não podia existir à luz do sol. Processo sempre incompleto10, e o poeta sabe disso, ao almejar, humilde e sábio, “achar…um pouco de quando era assim”.

OUTRAS MIRADAS

Agora que seguimos uma linha até o fim, outros olhares podem enriquecer o desfrute do texto. Mais como um apontar de possibilidades, um convite, um alerta contra a possível impressão de que o poema tenha sido “traduzido” e “esgotado”. Pelo contrário, como poderemos ver, ele é uma matriz energética fazendo jorrar incessantemente significados e possibilidades, e é nisso, entre outra coisas, que se baseia sua riqueza e encanto.

Recorrendo à metáfora da estrada, onde tempo se transforma em espaço, e vivência em percurso, Pessoa parece nos falar de uma fórmula básica da existência humana, que poderíamos materializar em dois enunciados, dois lados de uma moeda, escuridão e luz:

SOFRIMENTO RUPTURA = ESQUECIMENTO = INCONSCIÊNCIA

CURA = REENCONTRO = MEMÓRIA = CONSCIÊNCIA

Ou seja, o desconhecimento de si, que inclui o descontato com as origens e o processo histórico que determina o agora do Eu, é a fonte dos problemas. A tarefa apontada é “conhece a ti mesmo …”, o que nos permite olhar a psicoterapia como uma forma de filosofia clínica.

Essa fórmula pode se estender para além da vida pessoal: saber da árvore genealógica (o “de onde vim – onde estou” da linhagem familiar), saber da história da cidade, do país, da cultura. Indo mais longe, na evolução das espécies, o surgir da consciência, do “perceber que percebe”, significou também uma ruptura, um deixar para trás de algo essencial, e sentimos muitas vezes um profundo anseio de nos religar (religare – religião) a esse eu ancestral e cósmico. Podemos talvez olhar as tradições espirituais como um tipo de “alto monte” capaz de colocar-nos em contato com um tempo em que éramos Um com o universo.

Fluindo pelos encontros de sons e idéias, saindo da linearidade, veremos que a “criança na estrada” nos remete ao “sou nada“, “regressão errada“, “alma parada“, onde sons duros de “ada” parecem reforçar o impacto do impasse existencial que o forte conteúdo das palavras nos revela.

Adicionando alguns pontos de interrogação, o “quem sou?” e o “onde estou?” podem ser o pão de um sanduíche onde o recheio é “onde ficou?” e “quem errou?” – ou seja, a solução para a busca da identidade está na memória.

Em “o que sou é nada” podemos ouvir ecos do “…not to be” de Shakespeare em Hamlet.

“Atingir esse lugar” liga-se a “relembrar” e “achar”. Lugar, que não é verbo, que no poema é tempo congelado, fluir parado (paradoxo) como foto, liga-se ao retomar do movimento conectando-se com verbos (ação). Nessas rimas em “ar”, geralmente consideradas pobres, a genialidade do poeta condensa tudo que dissemos antes: do parado (o lugar), pela memória (relembrar) chegamos ao encontro consigo (achar), que é vida-ação-transformação.

Derradeiras rimas: “enfim” “mim” “assim”. Parece fala de criança pequena (ou de Tarzan, de alguém que não domina uma linguagem) comemorando que “finalmente”, depois de muito lutar e procurar, “eu” consegui ficar mais “desse jeito” que eu queria tanto. Forma e conteúdo: falar de forma infantil (na escolha das palavras e no descrever o desejo como se ele já fosse realidade – realização alucinatória) da necessidade e da vontade de voltar aos conteúdos infantis.

CONEXÕES

Me ocorre que alguns leitores pouco afeitos à poesia possivelmente olharão este artigo como um exótico devaneio, coisa de pouco valor prático, elocubração sem valor. Na verdade, a relação entre arte e psicoterapia e psicanálise não é nenhuma novidade, sendo até por muitos considerada uma área fundamental de desenvolvimento da psicanálise.

Comprovamos isso, por exemplo, com a revista Percurso, editada pelo Departamento de Psicanálise do Sedes, que tem seu número 15, de 1995, dedicado a este tema, abordando a música, pintura, fotografia, teatro, e principalmente a literatura, inclusive com um artigo de Silva Jr. abordando as noções de espacialidade em Fernando Pessoa e Freud, tendo como intenção, segundo o autor, “ler Pessoa para melhor ler Freud” (p. 27).

Encontramos também nessa revista um belo artigo de Helena Rosenfeld onde se afirma que “a psicanálise pede e exige o poético” … pois “só o elemento poético dá conta de certos aspectos essenciais do trabalho analítico”. Com isso a autora quer dizer que “a arte, a linguagem poética e metafórica, é um dos meios pelos quais podemos tangenciar o indizível, roçar o não-representável, isso que escapa da designação, essa realidade que a linguagem busca e não acha” (p. 45). Baseando-se em Heidegger, aponta a limitação da “metafísica da luz” de Platão e Descartes, dado que o “escuro-obscuro”, aquilo que nunca é capturado, é inerente ao humano. A partir disso privilegia-se, na experiência estética e na clínica, não o “deciframento detetivesco”, mas sim o deixar-se tomar e afetar pela manifestação do diferente (a obra de arte, o inconsciente), assombrar-se com o estranho em si, o “mesmo tornado outro”, experiência assimilada através da “fala que nasce do fracasso da linguagem”, que é a poesia…

Outra conexão é o questionamento do quanto Pessoa poderia ter sido influenciado pela psicanálise ao escrever o soneto analisado, e é interessante abordar isso a partir do próprio poeta, num texto acessado a partir do artigo de Silva Jr.

Numa carta de 11/12/31, Pessoa critica o crítico literário que o interpretou psicanaliticamente, e afirma que “a explicação, sinceramente buscada e inocentemente exposta, redunda numa agressão”. As lúcidas palavras do poeta bem serviriam para criticar certas interpretações invasivas e fora de hora, infelizmente tão comuns em psicoterapia e fora dela. Ao desenvolver seus comentários nessa carta, ele vai expondo suas opiniões sobre Freud e a psicanálise11. Aí ele reconhece ter lido e aproveitado muita coisa da psicanálise, com duas ressalvas: 1- já havia chegado a muitas dessas conclusões antes de ler Freud; e 2- o “freudismo” seria “estreito” e “imperfeito”, “utilíssimo” se usado como estímulo intelectual, porém nocivo se visto como dogma.

Reveladora dos conflitos e da ambivalência de Pessoa em relação à visão freudiana é a afirmação de que a leitura de Freud tem servido “para afinar a faca psicológica” (p. 64), comentando mais à frente (p. 67): “registro, com orgulho, que pratiquei, falando de Freud, uma imagem fálica … assim sem dúvida ele o entenderia. O que concluiria, não sei. Em qualquer caso, raios o partam!” Parece que seus mecanismos de defesa impediram-no, por pouco, de perceber o provável ato falho onde Pessoa se revela: ao invés de afiar a faca, ele fala em afinar o falo = afinar o instrumento, mas também afinar = tornar mais fino, reduzir sua potência. Parece querer dizer que recusa a psicanálise que poderia deixá-lo mais fálico, cortante, penetrante; e aceita aquela que o deixa menos fálico porém mais afinado. O falo afinado como lira poética, e não a potência interpretativa que machuca como faca.

Percebe-se, assim, que na época em que escreveu o poema (22/09/33), já Pessoa havia tido um razoável contato com a obra de Freud e seus seguidores, e também com a crítica literária de inspiração psicanalítica. Ao mesmo tempo, fica claro não ser ele um entusiasta nem um propagandeador da psicanálise, e portanto parece excluída a possibilidade do soneto ser simplesmente uma expressão poética de idéias freudianas incorporadas pelo poeta. Além disso, deve-se notar que o eixo do poema (na interpretação aqui apresentada) é o mecanismo do recalque (como fonte do sofrimento e como caminho de redenção), e este não é mencionado na descrição pessoana das idéias de Freud que o impressionaram. Minha impressão é que o soneto, apesar de muito provavelmente não ter sido elaborado conscientemente como relacionado às idéias psicanalíticas, acabou incorporando temas freudianos a partir de uma elaboração inconsciente e indireta influenciada pelo contato com a psicanálise.

ALGUMAS CONCLUSÕES

Uma mesma coisa pode ser dita de várias maneiras: mais simples ou mais complexa, mais acessível ou mais hermética, mais bonita ou menos bonita. Assim, percebe-se que é possível comunicarmo-nos sem usar tantos termos difíceis e patologizantes. Será preciso, entretanto, ir além da assimilação mecânica de alguns esquemas teóricos, e realmente tentar compreender como funcionamos.

Outra conclusão é que ler poesia pode ser um exercício útil. Freqüentar a Arte, principalmente a Grande Arte (de qualquer tipo), também. Como consumidor, intérprete ou criador. Já dizia Mário Quintana: “Eu acho que todos deveriam fazer versos. Ainda que saiam maus. Já não tem importância. É preferível, para a alma humana, fazer maus versos a não fazer nenhum. Sim, todos devem fazer versos. Contanto que não venham mostrar-me”. A alta sensibilidade do poeta faz com que, apesar de incentivar a poesia, ele queira (e tenha todo o direito de) se afastar daquilo que fere seu senso de estética. Já nós psicoterapeutas, com preocupações de outra ordem em nosso ofício, incentivamos nossos pacientes a trazer-nos suas produções de qualquer natureza (inclusive poemas, ensaios, desenhos etc.): mesmo que sejam de baixa qualidade estética, elas quase sempre são de grande valor na busca do fugidio EU, e podem ser legitimamente apreciadas nesse sentido.

Bem, para terminar, creio que nada melhor do que retornar à arte, ao soneto do Pessoa agora por inteiro.mas antes dele, numa “livre associação de poemas”, registro aqui uma ressonância encontrada em Atahualpa Yupanqui, numa poesia que fala também de sofrimento, de esperança … e de um alto monte:

La esperanza es cumbre.

¡Pa la cumbre voy!

El dolor es fuego…

¡quemándome estoy!

A criança que fui chora na estrada.

Deixei-a ali quando vim ser quem sou;

Mas hoje, vendo que o que sou é nada,

Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou

A vinda tem a regressão errada.

Já não sei de onde vim nem onde estou.

De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar

Um alto monte, de onde possa enfim

O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,

E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar

Em mim um pouco de quando era assim.

 

NOTAS

Observação: as transcrições a seguir visam não só à comparação de idéias, mas também convidam a, e esperam poder proporcioná-lo, um efeito estético oriundo da confluência e do confronto de linguagens diversas.

1) “Apenas quando a pessoa perde sua capacidade inerente e natural de auto-regulação e autocura é que a neurose se desenvolve. A terapia biodinâmica procura restaurar esta perda ou diminuição da capacidade de auto-regulação, e procura alcançar o ‘núcleo vivo’, o âmago da pessoa, estimulando e encorajando sua expansão” … “Muito freqüentemente, este ‘núcleo vivo’ ou personalidade primária fica enterrado sob uma ‘personalidade secundária’ que a criança em desenvolvimento desenvolve para poder encarar circunstâncias de vida não muito agradáveis. Esta ‘personalidade secundária’ corresponde ao conceito de Wilhelm Reich de caráter” (International Foundation for Biodynamic Psychology, p. 10).

“Quando conflitos emocionais fundamentais permanecem não resolvidos, a couraça desenvolvida pelo organismo torna-se crônica, e tem como conseqüência o desenvolvimento de uma fachada falsa – uma personalidade secundária, neurótica – com a qual a pessoa funciona no mundo” (Southwell, p. 15).

2) “Para conseguir realizar a restrição das pulsões exigida pelo mundo moderno e ser capaz de lidar com a estase de energia que resulta dessa inibição, o ego tem de passar por uma alteração (…) O ego, isto é, a parte do indivíduo exposta ao perigo, torna-se rígido quando está continuamente sujeito ao mesmo conflito, ou a conflitos semelhantes, entre a necessidade e o mundo externo gerador de medo. Nesse processo, adquire um modo de reação crônico, que funciona automaticamente, ou seja, seu ‘caráter’. É como se a personalidade afetiva se encouraçasse, como se a concha dura que ela desenvolve fosse destinada a desviar e enfraquecer os golpes do mundo externo bem como os clamores das necessidades internas. Esse encouraçamento torna a pessoa menos sensível ao desprazer, mas também restringe sua motilidade agressiva e libidinal, reduzindo assim a capacidade de realização e de prazer” (Reich, 1995, p. 314).

“Certamente, uma das experiências mais trágicas das crianças resulta do fato de que, numa idade tenra, nem todos os sentimentos e desejos podem ser expressos e verbalizados. A criança tem de encontrar uma outra maneira para que seja compreendida a condição psíquica que não consegue expressar. Mas os pais e professores, sendo o que são, raramente são capazes de adivinhar o que se passa com ela. Em vão a criança faz seu apelo, até que, por fim, desiste da luta pela compreensão e fica paralisada e anestesiada: ‘É totalmente inútil’. O caminho entre o sentir-se vivo e o morrer interiormente é pavimentado com decepções no amor, que constituem a causa mais freqüente e poderosa da morte interna” (idem, p. 298-9).

“Quanto mais a motilidade vegetativa for reprimida na infância tanto mais difícil será para o adolescente desenvolver relações com o mundo, com os objetos de amor, com seu trabalho e com a realidade em geral”…”Nesse caso, é muito mais fácil mergulhar na condição de resignação e isolamento, e as relações substitutas que então se formam serão na mesma medida pouco naturais” (ibidem, p. 300).

3) “Quando há um certo grau de fracasso na adaptação, ou uma adaptação caótica, o bebê desenvolve dois tipos de relacionamento. Um tipo consiste num relacionamento secreto e silencioso com um mundo interno essencialmente pessoal e íntimo de fenômenos, e é exclusivamente este relacionamento que parece real. O outro é exercido a partir de um self falso e se estabelece para com um ambiente obscuramente percebido como exterior ou implantado. O primeiro tipo de relacionamento contém a espontaneidade e a riqueza, e o segundo é um relacionamento submisso, mantido com a intenção de ganhar tempo até o momento em que o primeiro talvez consiga, um dia, tomar posse (…) O problema é que os impulsos, a espontaneidade e os sentimentos que parecem reais encontram-se confinados no interior de um relacionamento que (em seu grau extremo) permanece incomunicável. Por outro lado, a outra metade da personalidade cindida, o falso self submisso, está ali à vista de todos e é fácil de ser administrado” (Winnicott, p. 129), e, como conseqüência, “existe um certo sentimento de futilidade relativo à vida falsa, e uma busca incessante daquela outra vida que seria sentida como real” (idem, p. 128).

4) “O termo deriva da palavra latina para a máscara usada por atores da época clássica. Daí, persona refere-se à máscara ou face que uma pessoa põe para confrontar o mundo. A persona pode se referir à identidade sexual, um estágio do desenvolvimento (tal como a adolescência), um status social, um trabalho ou profissão. Durante toda uma vida, muitas personas serão usadas e diversas podem ser combinadas em qualquer momento específico (…) Resulta que a persona não deve ser pensada como inerentemente patológica ou falsa. Há um risco de patologia se uma pessoa se identifica de forma demasiadamente íntima com sua persona (…) A identificação com a persona leva a uma forma de rigidez ou fragilidade psicológicas; o inconsciente tenderá, antes, a irromper com ímpeto na consciência, que emergir de forma controlável. O ego, quando identificado com a persona, é capaz somente de uma orientação externa. É cego para eventos internos e, daí, incapaz de responder a eles” (Samuels, Shorter e Plaut; p. 147-8).

“Uma consciência apenas pessoal acentua com certa ansiedade seus direitos de autor e de propriedade no que concerne aos seus conteúdos, procurando deste modo criar um todo. Mas todos os conteúdos que não se ajustam a esse todo são negligenciados, esquecidos, ou então reprimidos e negados. Isso constitui uma forma de auto-educação que não deixa de ser, porém, demasiado arbitrária e violenta. Em benefício de uma imagem ideal, à qual o indivíduo aspira moldar-se, sacrifica-se muito de sua humanidade (…) A este segmento arbitrário da psique coletiva, elaborado às vezes com grande esforço, dei o nome de persona (…) Ao analisarmos a persona, dissolvemos a máscara e descobrimos que, aparentando ser individual, ela é no fundo coletiva; em outras palavras, a persona não passa de uma máscara da psique coletiva. No fundo, nada tem de real, ela representa um compromisso entre o indivíduo e a sociedade (…) de certo modo, tais dados são reais; mas, em relação à individualidade essencial da pessoa, representam algo de secundário (…) A persona é uma aparência, uma realidade bidimensional” (Jung, p. 32-3).

5) “O que tenho em mente é a amnésia peculiar que, no caso da maioria das pessoas, embora não em todas, oculta os inícios mais precoces de sua infância até seu sexto ou oitavo ano. Até agora não nos ocorreu sentir qualquer espanto diante desta amnésia, embora pudéssemos ter tido boas razões para fazê-lo, pois sabemos através de outras pessoas que durante esses anos, dos quais posteriormente nada retemos em nossa memória a não ser umas lembranças ininteligíveis e fragmentárias, reagimos de maneira vívida a impressões, somos capazes de expressar dor e alegria de maneira humana, damos prova de amor, ciúme e outros sentimentos apaixonados que nos emocionam fortemente na época, e chegamos mesmo a fazer observações que são consideradas pelos adultos como boa prova de que possuímos discernimento e os primórdios de uma capacidade de julgamento. E de tudo isto nós, ao crescermos, não temos conhecimento próprio! Por que nossa memória fica tão ofuscada pelas outras atividades de nossa mente? Temos, ao contrário, bons motivos para acreditar que não há período em que a capacidade de receber e reproduzir impressões seja maior do que precisamente durante os anos de infância.

Por outro lado, devemos supor, ou podemos nos convencer mediante um exame psicológico de outras pessoas, de que as mesmas impressões que esquecemos deixaram, não obstante, os mais profundos traços em nossas mentes e tiveram um efeito determinante sobre a totalidade de nosso desenvolvimento subseqüente. Portanto, não há que se falar de qualquer abolição real das impressões da infância mas antes de uma amnésia semelhante àquela que os neuróticos exibem em relação a eventos ulteriores, e cuja essência consiste em simplesmente afastar estas impressões da consciência, ou seja, em reprimi-las” (Freud A, p. 178-9).

6) Endings são sinais de que partes de nossas vidas ficaram obsoletas, que precisamos mudar um relacionamento ou comportamento, que o padrão de nossa vida está prestes, outra vez, a se reformatar (…) Endings são uma desconfiguração, um processo emocional de distanciamento, um retraimento” … “Cria-se um espaço, um vazio, um vácuo, tanto no mundo objetivo quanto em nosso self emocional e neurológico” (Keleman, p. 55). “A experiência real que as pessoas têm durante um ending é geralmente não-estruturada. ‘Estou perdido’, dizemos, ou ‘Não tenho nenhuma fonte de referência'” (Idem, p. 56).

7) “… a repressão não impede que o representante instintual continue a existir no inconsciente, se organize ainda mais, dê origem a derivados, e estabeleça ligações. Na verdade, a repressão só interfere na relação do representante instintual com um único sistema psíquico, a saber, o do consciente (…) o representante instintual se desenvolverá com menos interferência e mais profusamente, se for retirado da influência consciente pela repressão. Ele prolifera no escuro, por assim dizer, e assume formas extremas de expressão, que uma vez traduzidas e apresentadas ao neurótico irão não só lhe parecer estranhas, mas também assustá-lo, mostrando-lhe o quadro de uma extraordinária e perigosa força do instinto” (Freud B, p. 172). “Não é a própria repressão que produz formações substitutivas e sintomas, mas que estes últimos são indicações de um retorno do reprimido” (idem, p. 178).

8) “…o que desejamos ouvir de nosso paciente não é apenas o que ele sabe e esconde de outras pessoas; ele deve dizer-nos também o que não sabe” (Freud C, p. 201). “Coletamos o material para nosso trabalho de uma variedade de fontes – do que nos é transmitido pelas informações que nos são dadas pelo paciente e por suas associações livres, do que ele nos mostra nas transferências, daquilo a que chegamos pela interpretação de seus sonhos e do que ele revela através de lapsos ou parapraxias” (idem, p. 205).

“Além dos sonhos, associações, lapsos e outras comunicações dos pacientes, merece especial atenção o modo como eles contam os sonhos, cometem lapsos, produzem associações e se comunicam, em suma, seu comportamento (…) A forma de expressão é muito mais importante que o conteúdo ideacional (…) A maneira como o paciente fala, olha para o analista e o cumprimenta, deita-se no divã, a modulação da voz, o grau de polidez convencional mantido etc são pontos de referência valiosos para avaliar as resistências secretas que o paciente opõe à regra básica (…) Não é apenas o que o paciente diz, mas como o diz que deve ser interpretado” (Reich, 1995, p. 57).

9) “Chamo este método terapêutico de método da parteira. O terapeuta deve estar separado de sua própria necessidade de estar ativo, de falar etc., a fim de que possa estar passivo, paciente e que possa deixar desenvolver-se o processo dinâmico curativo. O terapeuta deve simplesmente oferecer uma aceitação e um amor total para que o ‘estímulo interior’ possa se desenvolver completamente e transformar o ser do paciente (…) a empatia, a tolerância e a compreensão do terapeuta são essenciais. O intelectualismo ‘seco’ não só não é suficiente, como quebra o movimento da vida, o processo biodinâmico” (Boyesen, p. 102).

“Deve-se buscar um clima grupal tolerante, encorajador, cúmplice, verdadeiramente amoroso. Um solo fértil para que possam brotar as sementes de vida, liberdade e prazer existentes em cada um. O amor é o melhor bálsamo para as feridas da alma, e nenhuma técnica o suplanta nessa função” (Gama e Rego, p. 33).

10) “Quase parece como se a análise fosse a terceira daquelas profissões ‘impossíveis’ quanto às quais de antemão se pode estar seguro de chegar a resultados insatisfatórios. As outras duas, conhecidas há muito mais tempo, são a educação e o governo” (Freud D, p. 282).

11) “O Freudismo é um sistema imperfeito, estreito e utilíssimo. É imperfeito se julgarmos que nos vai dar a chave, que nenhum sistema nos pode dar, da complexidade indefinida da alma humana. É estreito se julgarmos, por ele, que tudo se reduz à sexualidade, pois nada se reduz a uma coisa só, nem sequer na vida intra-atômica. É utilíssimo porque chamou a atenção dos psicólogos para três elementos importantíssimos da vida da alma, e portanto na interpretação dela: (1) o subconsciente e a nossa conseqüente qualidade de animais irracionais; (2) a sexualidade, cuja importância havia sido, por diversos motivos, diminuída ou desconhecida anteriormente; (3) o que poderei chamar, em linguagem minha, a translação, ou seja, a conversão de certos elementos psíquicos (não só sexuais) em outros, por estorvo ou desvio dos originais, e a possibilidade de se determinar a existência de certas qualidades ou defeitos por meio de efeitos aparentemente irrelacionados com elas ou eles.

Já antes de ter lido qualquer coisa de ou sobre Freud, já antes, até, de ouvir falar nele, eu tinha pessoalmente chegado à conclusão marcada (1) e a alguns resultados dos que incluí sob a indicação (3). No capítulo (2) tinha feito menos observações, dado o pouco que sempre me interessou a sexualidade, própria ou alheia – a primeira pela pouca importância que sempre dei a mim mesmo, como ente físico e social, a segunda por melindre (…) de me intrometer, ainda que interpretativamente, na vida dos outros. Não tenho lido muito do Freud, nem sobre o sistema freudiano e seus derivados; mas o que tenho lido tem servido extraordinariamente  – confesso – para afinar a faca psicológica e limpar ou substituir as lentes do microscópio crítico. Não precisei do Freud (…) para saber distinguir a vaidade do orgulho, nos casos em que podem confundir-se (…) Não precisei também do Freud para (…) conhecer, pelo simples estilo literário, o pederasta e o onanista (…) Criticando embora e divergindo, reconheço o poder hipnótico dos freudismos sobre toda criatura inteligente (…) O que desejo agora acentuar é que me parece que esse sistema e os sistemas análogos e derivados devem por nós ser empregados como estímulos de argúcia crítica, e não como dogmas ou leis da natureza” (Pessoa, Prosa, p. 63-64).

Agradecimentos: André Samson, Denise Stucchi, Gerson Hideki Fujiyama, Katia Regina Caputo, Marília Pontes Sposito.

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2018-05-09T03:10:47+00:00

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